Medusa Concreta

 

A trupe Cia Les Commediens Tropicales deu início aos trabalhos para a elaboração de uma nova peça baseada no mito de Medusa, a partir da versão de Ovídio, autor latino do século I a.C..

O espetáculo integra o projeto “Medusa.concreta”, contemplado na 30ª edição da lei de fomento ao teatro da cidade de São Paulo (2017). Além de reencenar parte do repertório da companhia (“Mauser de garagem”; “Baal.material”), o projeto inclui a construção de um espetáculo novo, que será “Medusa concreta”, uma comédia de teatro de rua, com estreia prevista para o segundo semestre de 2018.

A escolha do mito de Medusa decorreu do contato com um texto de 2014 de Amanda Beatriz, membro das Blogueiras Negras: “Revelando o significado oculto: o mitoda Medusa e a cultura do estupro”. 

“A gente chegou à história da Medusa através desse texto, e a partir daí a gente começou a falar sobre mito. [...] E começamos a ver como a mitologia é formadora de modos de vida, de pensamento social. [...] A gente quer trazer essa Medusa para São Paulo, para os nossos tempos, para a inquietação quotidiana”, relata a atriz Paula Mirham.

A versão de Ovídio do mito, nos versos finais (765-800) do livro IV das “Metamorfoses”, relata Medusa como vítima de estupro por Netuno, porém, condenada por Minerva a ter sua cabeleira de serpentes e a petrificar quem a olhasse diretamente. A fala de Perseu, assassino de Medusa, traduzida por Raimundo de Carvalho: 


Na etapa inicial do trabalho, a Cia Les Commediens Tropicales organizou uma série de quatro conversas com pesquisadoras para abordar a chamada “vulgarização da vítima”.

Duas conversas já aconteceram e outras duas estão agendadas: 

Suzane Jardim tratará de “O mito e o feminicídio” (05.04.18) e 
Maria Rita Khel, de “O mito e ressentimento” (27.04.18). 


Veja vídeo da conversa já realizada por Helena Vieira intitulada "O mito e o gênero".