XI MITsp


A Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp) é, como diz o nome, “internacional”, mas gradualmente menos. Antonio Araujo, diretor artístico, denunciou uma vez mais a dificuldade de assegurar uma programação internacional de maior fôlego por falta de recursos financeiros. Serão cinco espetáculos estrangeiros em 2026, mas a MITsp já chegou a programar 12 peças produzidas no exterior. Sobre esse desafio escrevi antes e vale ler de novo. Aqui.

Esta 11ª edição reafirma a tendência de a MITsp assumir um papel estratégico na valorização do teatro brasileiro, não apenas com a Plataforma Brasil, mas também estimulando plataformas off-MITsp, como a Farofa do Processo, a Mostra Capobianco e a Mostra Perspectiva, do Instituto Brasileiro de Teatro (iBT). A Mostra acontece de 6 a 15 de março em vários espaços da cidade. Ingressos à venda a partir do dia 12.

O tema “violência” foi recorrente na entrevista coletiva de lançamento da 11ª MITsp, a violência de gênero e a violência digital. A mostra abre com o espetáculo “História da Violência”, adaptação do romance homônimo do autor francês Édouard Louis, que tem dois de seus livros adaptados para o palco com direção de Thomas Ostermeier. O outro é “Quem matou meu pai”, que terá em cena o próprio autor. Está prevista uma sessão de conversa entre autor e encenador aberta ao público.

“História da violência” (2018)

Sinopse: “A obra reconstrói a noite em que o jovem Édouard conhece Reda, um homem de origem argelina, e o leva para seu apartamento em Paris. O encontro, inicialmente marcado pela intimidade e pelo afeto, se transforma em uma experiência de extrema violência”.

  • 6/3, sexta, 19h30 [para convidados]
  • 7 e 8/3, sábado, 21h, e domingo, 20h
  • Teatro Liberdade | Rua São Joaquim, 129, Liberdade

“Quem matou meu pai” (2020)

Sinopse: “Partindo do corpo quebrado do pai, Édouard propõe uma reescrita contundente da história política e social recente da França. Em cena, ele constrói um manifesto polêmico e rebelde contra o esquecimento, a exclusão e a violência física.”

  • 11, 12 e 13/3, quarta, quinta e sexta, 20h
  • Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran | Rua Pais Leme, 195, Pinheiros


Volta ao palco da MITsp o diretor suíço Milo Rau com a peça “A carta”, uma produção do Festival de Avignon de 2025. Segundo Araujo, essa dramaturgia tem uma dimensão menos espetacular e uma perspectiva mais bem-humorada do que é usual com o encenador, uma declaração de amor ao teatro. Rau foi o artista em foco na 6ª MITsp, de 2019. Leia aqui.

Sinopse: “Da história da heroína francesa Joana d’Arc à peça A Gaivota, do dramaturgo russo Anton Tchekhov, o espetáculo se desdobra em diversos planos, em um constante vaivém entre arte e vida – no qual até mesmo os mortos retornam ao palco com a ajuda de vozes gravadas”.

  • 7, 8 e 9/3, sábado, 19h, domingo e segunda, 18h
  • Teatro do Sesi-SP - Centro Cultural Fiesp | Av. Paulista, 1313, Bela Vista

Outra peça que aborda o fazer teatral vem de um dramaturgo do Congo, embora uma produção francesa. Dele, a MITsp já apresentou “O Alicerce das Vertigens”, na 6ª edição, em 2019.

Do lado de cá (2021)

Sinopse: “Neste monólogo íntimo com traços autoficcionais, o dramaturgo congolês Dieudonné Niangouna questiona o teatro, o exílio e o seu lugar como artista entre dois mundos. Assombrado por memórias e ausências, convive com os fantasmas do passado até o dia em que um diretor oferece um papel para ele em um espetáculo”.

  • 13, 14 e 15/3, sexta e sábado, 20h, e domingo, 18h
  • Sesc Vila Mariana – Teatro Antunes Filho | Rua Pelotas, 141, Vila Mariana

Pela primeira vez, a mostra apresenta uma produção do Canadá, dirigida por Philippe Cyr. Uma peça sobre violência digital, com força visual muito grande, segundo Araujo. Há até um alerta sobre a linguagem utilizada: “O espetáculo se baseia em linguagem odiosa, incluindo misoginia, gordofobia, racismo, homofobia, incitação ao suicídio, referências à morte e assédio”.

“Vigiada e punida” (2024)

Sinopse: “Sublimar o ódio: foi com este objetivo que a cantora e compositora Safia Nolin e o diretor Philippe Cyr criaram esta obra musical, que parte dos milhares de insultos reais dirigidos à artista. Questionando que significado damos à liberdade de expressão quando ela irrompe em violência”.

  • 13, 14 e 15/3, sexta, 21h, e sábado e domingo, 20h
  • Teatro do Sesi-SP - Centro Cultural Fiesp | Av. Paulista, 1313, Bela Vista

Aula-magMa: Uma perspectiva sociológica sobre o teatro com Thomas Ostermeier

Thomas Ostermeier é diretor-residente e membro da direção artística da Schaubühne desde 1999. A Schaubühne é um dos teatros mais importantes de língua alemã e referência internacional na criação contemporânea. 

  • 7 de março, sábado, das 14h às 15h30
  • Sesc Pinheiros | Auditório

Dentre os espetáculos brasileiros, destaco “Filoctetes em Lemnos”, solo de Vinicius Torres Machado, que publicou Em Tempo: Introdução à Performatividade na Grécia Antiga (Annablume 2024) em parceria com João Pedro Ribeiro. Um dos dois espetáculos nacionais convidados da MITbr (Plataforma Brasil). Quem não viu tem que ver. @filoctetes_emlemnos

Sinopse: “A partir do mito grego, o artista apresenta a matéria do próprio corpo após a retirada de parte do seu nervo ciático e musculatura posterior, em decorrência do tratamento de um tumor. Sem alguns movimentos da perna direita e uma ferida causada pela radioterapia, que há 20 anos se abre de tempos em tempos, ele se aproxima de Filoctetes para tratar da fragilidade corporal atualizada na forma humana”.

  • 7 e 8 e 9/3, sábado, domingo e segunda, 17h
  • TUSP Rua Maria Antônia, 294, Vila Buarque

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